segunda-feira, 29 de abril de 2013

Texto de um dos livros premiados





Todos os dias eu acordo com a mesma aparência, me levanto, me arrumo, olho no espelho e percebo que nada mudou. Passou o tempo, percebi que as coisas não são mais como antigamente.
Todas as relações que tenho com o meu antigo eu ficaram para trás, só em minhas memórias. Lembro da touca em que todo dia usava. Era como um item mágico criado para me esconder, com ele, escondia os rebeldes cabelos e o corte que me faziam querer usá-lo ainda mais. Além dessa touca que me cobria 50% de minha cabeça, era ela os motivos das brincadeiras que diariamente aconteciam.
Sobre meu corpo vestia sempre grandes casacos, fosse frio ou calor, fazendo alguma atividade física ou não. Usava-os como uma forma de esconderijo, pois sempre um do piores motivos para não me aceitar como fui, era o meu corpo, por ser baixo e estar sempre acima do peso me sentia mal e me considerava um estranho por completo.

Uma das implicâncias era o fato de eu sempre estar de calça de moletom. Desde pequeno acostumado a usar, não me importava por falaram, mas usava também como uma forma de não querer me mostrar nem me aparecer pra ninguém.

Muitas das coisas que aconteciam comigo, todos os sonhos e criações que eu tinha antigamente, acabavam ficando presos a mim mesmo. Pois o medo de me expor era tão grande que não acreditava que era possível me expressar e ser quem eu realmente sou agora. Muitos dos planos que criei ainda são referências para as coisas que pretendo muito conseguir.

Hoje minhas preocupações são outra, vivo diferente e sem receio de quem antigamente eu era. Fiz com que minha personalidade fosse aceita por todos e que meus medos fossem esquecidos para que dessem lugar a uma pessoa espontânea e criativa, que consegue expor os desejos e as vontades que tanto eu almejo.

Apesar de como me vestia antigamente para me esconder, hoje não tenho vergonha de poder usar as roupas que gosto. Tirei a touca, casacos só são usados em dias de frio e minhas calças de moletom não existem mais. Mas apesar de conseguir ser quem eu sempre fui, ainda guardo diversas manias, como tentar me esconder e não aparecer o máximo possível dependendo das ocasiões.

Hoje, apesar de ainda manter certa preocupação ligada a isso, sei que as coisas são completamente diferentes e, todas as vezes que penso em como eu era, vejo que parte das coisas que eu imaginava, ficavam apenas em minha cabeça e que eu me escondia por nada.








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